ALIENÍGENA
Hoje me sinto sem
Poesia.
Mas, não é coisa de deus.
Olho para as pedras
e vejo gente.
Olho para os corações,
vejo granadas.
Olho para as palavras
e sinto a nevasca petrificando amores.
Vejo a humanidade
como a lava do vulcão,
língua do inferno que lambe
e trucida.
Hoje
sou gauche,
sou viés,
sou árido,
sou estrangeiro na minha Terra.
Não sou desse mundo.
Um alienígena que escreve
como quem arranca
sentimentos,
sem anestesia.
Um comentário:
Alienígena
Que não recorda
Alienígena
Que não se conforma
Como sair de casa
Mesmo estando em casa?
Como voltar, se não saber
Como retornar?
Alienígena sem reforma
Mesmo fora de casa
Como se conforma?
Como se ajustar
Sem saber como retornar?
Como se arrumar,
sem casa para voltar?
Viver, para retornar.
Morrer, para comformar.
Alienígena sem reparar.
Ainda fora de casa
Como se reajustar?
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